2+8 = Uma Década Juntos

Eu avisei que se ficasses comigo não ia ser uma tarefa fácil!
Mas as minhas previsões não contemplavam esta roda viva
Já passaram 2 + 8
2 anos de namoro e grandes decisões (mudança para a Beira interior e vida a dois)
8 anos com algum desespero, medo, horas de hospital, planos adiados e projetos cancelados.
A boa noticia é que fazendo o balanço, o saldo continua a ser positivo!
As alegrias superaram as tristezas,
Tornámo-nos melhores pessoas e mais fortes,
Cada dia passou a ser vivido com mais intensidade,
Ficamos ainda mais cúmplices e firmes que nem um “barroco de granito”
Descobrimos forças que nunca julgamos ter
Uma lição de vida para os dois!
Obrigado por teres tornado situações difíceis em fáceis, ensinando-me a enfrentar naturalmente, e obrigado por estares sempre ao meu lado! Adoro o momento em que esperas por mim para um beijinho antes da maca entrar no bloco e o sorriso com que me aguardas na saída. Adoro quando amuas, conto até 10 e já passou. Adoro a forma como recebes os nossos amigos e família. Adoro que tenhas um coração enorme e sempre pronto para ajudar. Adoro cada pedaço teu e sou viciada na tua pessoa. Nunca entendi a pergunta “o teu marido como lida com isto tudo?” ao que respondia “quando o conheceres tiras as tuas conclusões”, sempre soube que és especial, o que faz de mim a pessoa mais feliz do Universo.

 

Love you more than yesterday and less than tomorrow.

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E Filhos?

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No dia da consulta da Hereditariedade, a médica perguntou “Congelaram óvulos?”, respondi que ninguém tinha abordado esse assunto até ao momento, o silêncio que se gerou na sala e a expressão facial da Doutora deu para ler o pensamento “Como é que não pensaram nisso?”. Comecei por explicar que quando soube o resultado da biópsia, era urgente o inicio da Quimioterapia e que demorei 5 dias a iniciar a mesma.  Deu inicio uma luta contra o tempo, tentava perceber o que estava acontecer, como aliviar o sofrimento dos pais e marido, a decisão do Hospital onde ia resolver a situação e como entrar lá, as reuniões com as equipas médicas e discussão de qual o passo a seguir.

Nas consultas oncológicas quando tentava abordar o assunto com a médica assistente, era respondido de uma forma vaga “depois temos tempo de ver isso, ainda não é a altura”, e eu percebia que as prioridades naquele momento eram outras. De que valia a pena falar de filhos , se ainda estava em questão a minha vida?

Um dia enchi o peito de ar e perguntei ao meu oncologista ” posso vir a ter filhos Doutor?”, percebi de imediato que não era a favor, o risco era muito grande, mas deixou bem claro que a decisão era minha. Após alguns anos a refletir sobre o assunto e a primeira situação quase ultrapassada, voltei  a encher o peito de ar e a colocar a mesma questão,  a resposta foi igual à anterior mas desta vez coloquei mais duas questões.

“Doutor o período não voltou desde a Quimioterapia, é devido à medicação?” ao que respondeu ” não tem nada a ver com a medicação e há casos em que nunca mais volta”, eu perguntei “e posso fazer algum tratamento de fertilidade?”, resposta imediata ” Isso nunca”. Despedi-me com uma vontade enorme de sair rápido da consulta, tive o meu segundo momento de choro durante todo este percurso e só pensava “mas estes gaijos acham que eu sou a Virgem Maria? Como podem achar que eu posso engravidar e que é uma decisão minha?  Fui ter com a minha prima Inês Gonçalves que viajou comigo  e insistiu em me fazer companhia ao Hospital, que bem que me soube naquele dia.

Em 2014  demos inicio à candidatura para um processo de adoção de 2 crianças, desde 1 Julho de 2014  que nos encontramos em fila de espera.

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“Thunder, feel the thunder Lightning and the thunder”

Celebro sempre o 20 de Outubro, celebro o dia em que fiz Reset e o RESTART funcionou e já passaram 7 anos!  A coincidência (ou não) da data com o feriado da Cidade da Covilhã parece que foi pensada ao pormenor para me permitir a celebração.

Acordei bem cedo, com um sorriso nos lábios que todos fingem não perceber e eu insisto em recordar. O dia acordou cinzento, mas para mim estava um sol ofuscante. O meu corpo insistia em dançar, nem os quilinhos a mais dificultavam a liberdade dos meus movimentos. No banho cantava em looping a música dos Imagine dragons “Thunder, feel the thunder … (3 saltinhos)… Lightning and the thunder”.

Mr. AVC , não se derruba assim uma galinha teimosa ” not a yes sir, not a follower”, e  no final quem ri por ultimo é quem ri sempre melhor  “I’m smiling from the stage while, You were clapping in the nose bleeds”.

E aos mais próximos que preferem não relembrar este dia, percebo que a perspectiva é diferente e farei “Whatever it takes” para manter o vosso sorriso, “I don’t ever want to let you down, I don’t ever want to leave this town” e obrigado por ” made me a believer, believer”.

E nesta altura já todos os meus fieis leitores estão a cantar “Who do you think you are?
Dreaming about being a big star”

Nota: Obrigada primas Salgueiro pela tarde magnifica, adoro dançar com vocês.

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PG – Símbolo de inspiração e coragem

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Sempre que recebo alguma noticia que me faz tremer o chão, deixo de escrever porque as palavras passam a ser  escassas e a inspiração desaparece, passo a viver numa outra dimensão em busca de uma solução que não está ao meu alcance, ou em busca de uma forma de poder aliviar uma dor que tão bem conheço.

Em Dezembro um susto pregado pela minha mãe e agora a minha PG

PG não é justo e tu conheces muito bem todo o percurso, mas estive a fazer uma retrospectiva pelo que estás a  passar agora e cheguei à conclusão que me estás a ganhar a anos luz:

  • Eu comecei pela Quimioterapia  e tu pela operação, eu não tive de fazer a depilação para a cirurgia, mas não consegui colar as unhas dos pés. Tu continuas linda igual a ti mesmo, fizeste melhor figura.
  • Tiraram-me a maminha e não deram nada em troca, em  reconstrução 6 anos depois. A tua já foi plantada e vai  nascer ainda esta primavera , e ainda conseguiste reduzir uma cirurgia.
  • O gânglio também me pregou uma partida e corrigido apenas 1 mês depois da primeira operação, tu vais conseguir corrigir em uma semana.
  • Ficas apenas a perder quando os papéis se invertem e ficas  desse lado, ninguém te chega aos calcanhares. Tu és a responsável por no hospital me sentir a rainha do pedaço, os brilhos que me levas fazem magia e tornam o difícil fácil . E fazes isto com toda a gente que tem a sorte de se cruzar no teu  caminho.
  • Tens o dom de ler nas entrelinhas e de perceber o imperceptível , quando me esvaziaram a axila enviaste-me uma mochila trolley, personalizada com crachás e mensagens inspiradoras  para poder continuar a carregar as minhas cenas sem restrições. Nunca tinha pensado nessa solução e ganhaste o meu maior sorriso. Vou adicionar a este post a foto de agradecimento que te enviei, a desfilar com a mochila na estação de Aveiras.

Amiga do Peito, Coração e outros membros, perdoa-me se te disse que não doía e sentiste dor, mas é uma prova que o tempo elimina as más recordações e acredita que em breve estaremos as duas em digressão a fazer TEDX por esse Pais fora  e ajudar quem de nós venha a precisar, porque esse bicho não sabe com quem se anda a meter!

Ninguém é igual a ti, tu és única e consegues o impossível. Isto tem tudo para dar Certo!

Mantém o FOCO na Cura, o resto tens a vida toda para usufruir.

Ala para a frente que atrás vem gente! Love You

Nota: Beijinho e muita força também  para a Rita Osório e Dulce Rocha para que enfrentem todas as etapas também com um sorriso, aliviando assim o percurso.

 

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Rota Oncológica a 300 KM de casa

Ser seguida em Lisboa  ou em Coimbra quando moramos na Beira interior não dá muito jeito, mas as forças da circunstância levaram a que tomasse a decisão de ser seguida a 300 KM de casa, e a minha mãe a 200 KM.

Partilho porque nunca escrevi sobre este assunto,  aprendemos sempre algo com a experiência vivida, e nesta matéria o tempo de espera pode custar-nos a VIDA.

Em Abril de 2010 identifiquei no banho algo suspeito que me levou ao Hospital mais próximo onde fiz vários exames.  Após ter realizado biópsia, foi-me dito que iam marcar a consulta para daí a 1 mês e meio, mas que se existisse algo problemático era contactada logo que identificado e transferida para oncologia. Fiquei tranquila por não ter sido contactada nesse período, e no dia da consulta pedi ao médico para a minha mãe entrar. O médico respondeu “a menina é que sabe se tem segredos para a sua mãe”, ao que respondi ” Dr. tenho 33 e não 18 anos!”.  Respondi sem imaginar o que me esperava, achei que a mãe ao ouvir do médico que estava tudo bem  ia ficar mais tranquila, mas acabou por ouvir o veredicto final: Cancro da Mama , Evasivo, um nódulo  com 9 cm (de Abril até final de Julho cresceu de quase 2 cm para 9 cm) e um nível 4 bastante avançado.

Perguntei calmamente ao médico  o que se seguia, enquanto tentava acalmar a minha mãe que gritava descontroladamente, poucas vezes a tinha visto chorar até aquela data,  e ainda hoje tenho pesadelos com o desespero que presenciei. Seguia-se Quimioterapia e um período de espera de  mais 15 dias   porque a médica estava de férias.

Não havia tempo para aguardar, mas eu estava cheia de medo e resistente à mudança. A minha prima decidiu por mim,  levou-me para Lisboa e conseguiu que em  5 dias eu iniciasse a minha 1ª  sessão de Quimioterapia.  Por mais que viva até aos 100 anos não lhe conseguirei agradecer a vida que me devolveu.

Em Agosto 2015 encontro-me de férias e  no banho identifico novo nódulo no peito que me resta, a minha oncologista em Lisboa encontra-se de férias, como sei o que se segue vou ao hospital da minha zona para avançar com o processo e conseguir fazer rapidamente a biopsia. Desta vez todo o processo é rápido porque tenho antecedentes identificados, mas o resultado da biopsia volta a ser tardio. Fui contactada 1 mês e meio após ter feito a biopsia, mas desta vez não fiquei à espera, quando me contactaram já tinha a operação agendada em Lisboa.

Noutros Hospitais o processo mais complicado é conseguir vaga para realização de exames específicos necessários,  neste hospital com um sorriso conseguimos sempre o improvável, a parte mais complicada é a comunicação célere do resultado dos exames para questões oncológicas, esquecida algures nas prateleiras do hospital.

Como é que em 5 anos nada mudou neste Hospital? De que vale ter a ultima tecnologia se não a sabemos utilizar?

Em Agosto 2012, a minha mãe identifica um efeito casca de laranja no peito e como tem consulta ginecologia marcada,  mostra e indica que a filha teve cancro da mama e a terapêutica realizada. O médico diz que em principio não é nada, questiona se costuma fazer mamografia, ela diz que faz de 2 em 2 anos na carrinha ambulatória e acha que a carrinha vem em Outubro /Novembro. O médico deixa-a sair da consulta sem marcar mamo/eco apenas com a promessa de ir ao ambulatório dai a 2/3 meses.

Há males que vêm por bem, como foi identificado pelo ambulatório, a minha mãe é seguida no Hospital da Universidade de Coimbra .

Moral da História:

Nunca deixar passar mais de 1 mês, sem resultado da biopsia. O tempo normal necessário para saída de todos os  resultados são 3 semanas.

Não ficar totalmente descansado por não ter  recebido qualquer chamada de antecipação de consulta. Após 1 mês sem novidades, ou marcação de consulta questionar o Hospital.

Sempre que identificado um sinal suspeito, realizar de imediato Mamo/Eco para despiste, principalmente se já existir antecedentes na família.

Um óptimo fim de semana2

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Inspirar | PUFF e 2 Cirurgia Plástica

Queridos Leitores, Amigos e Companheiras de Luta
68243be24d78b3868197e8d65c39fc30Hoje constatei que já não dou noticias há 4 meses no blog e pensei ” se o meu objetivo é Inspirar pessoas que tenham de passar pelo mesmo percurso, mostrar que não é um beco sem saída, apenas uma lomba na estrada, a regra principal é não deixar os leitores sem noticias.”

O que é certo é que foi por um bom motivo, andei ocupada com a mudança para a casa nova e aproveitar a tranquilidade da vida do campo.

Depois do ultimo post, seguiram-se algumas idas ao hospital para fazer o enchimento do expansor do lado direito, para avançarmos para a colocação da prótese definitiva. Já estava eu a sentir-me uma verdadeira Samanta Fox, quando um dia o meu marido pergunta ” o que aconteceu à tua maminha?”, eu olho para baixo ,  vou a correr para o WC, no regresso respondo “PUFF… desapareceu”.  Nessa altura fiquei tranquila e aguardar pela próxima consulta.

No dia seguinte seguem-se perguntas como  “molhou a camisola?”, “viste água?”,  como posso ter visto água se está debaixo da pele e não tem torneira?  E agora “o que vai acontecer?” , o não ter respostas começou a preocupar-me e liguei ao meu médico,  disse que falávamos na próxima consulta, mas para ficar descansada que às vezes acontecia. Chegou o dia da consulta fui informada que tinha de  marcar a operação com urgência para podermos aproveitar a elasticidade da pele e que provavelmente já não íamos conseguir o tamanho que estava previsto.

Na saída da consulta começa o drama “porque faço sempre parte das excepções e nunca da regra?”, ” como é que não sabem o que levou ao esvaziamento?” , mas durou apenas alguns minutos, depois penso nas centenas de mensagens de força dos amigos e família  e faz-me acreditar que se acontece é porque eu tenho estômago  para aguentar e com um sorriso nos lábios. PUFF…não voltei a pensar neste assunto. Resulta Sempre!

A 2 cirurgia estética ocorreu no dia 9 de Novembro, o dia ficou marcado pelas eleições nos Estados Unidos, ainda consegui um sorriso coletivo no bloco quando reparei que todo o equipamento  tinha a marca TRUMPF  e comentei “até aqui?”. A anestesista segredava-me ao ouvido “inspira como se cheirasses uma rosa, e sopra para apagar uma vela”, só me lembro de agradecer inúmeras vezes e PUFF voltei apagar e só acordar muitas horas depois.

O que estava previsto foi realizado, colocaram a prótese definitiva e do lado esquerdo o expansor para dar inicio ao enchimento.

A estadia no Hospital foi muito agradável, a maioria do staff  recordava-se de mim e tratavam-se com muito carinho. No quarto tive a maior recepção de sempre pela Margarida e Edite, não podiam caminhar e  diziam que eu ia ser  a salvação do quarto. Uma Queridas que tornaram estes dias muito agradáveis, e as lágrimas da Margarida (82 anos) no dia da minha saída partiram-me o coração. Tive a visita dos amigos e família, que levou a alguns piqueniques pelo hospital e muitos, muitos Mimos.

Ainda em recuperação, mas já quase operacional, conto em regressar ao trabalho na próxima semana e reduzir a minha baixa de 1 mês para 15 dias.

Vamos continuar para a frente que atrás continua a vir Gente!

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1ª Cirurgia Plástica

No dia 13 Julho iniciei a fase reconstrutiva do peito, a  primeira de várias cirurgias plásticas, até que o trabalho de reconstrução do peito fique totalmente concluído. Esta já é uma fase  com uma conotação diferente, o encerrar de uma etapa menos boa e o iniciar de uma fase nova que me vai trazer de volta o que o bicho mau teimou em roubar.

Foi  colocado um expansor do lado direito, que vou ter de vir encher de vez em quando, para obrigar a pele a ter elasticidade suficiente até atingir o tamanho esperado para colocarmos a prótese final. Do lado esquerdo, como existiu radioterapia, a pele está mais frágil e nesta fase apenas injectaram gordura.

Ontem tive alta, mas como trouxe um dreno que vou ter de devolver na Segunda, encontro-me por terras da capital.

A estadia pelo Hospital foi animada, um quarto cheio de boa disposição e muita converseta, e como sempre uma lição de vida. Eu achava que o meu CV  hospitalar era preenchido, encontrei pessoas com um CV ainda mais pesado e com um sorriso nos lábios e com toda a certeza que vão ultrapassar mais uma etapa que teima em reabrir e não menos complicada do que todas as anteriores. Estes exemplos dão-me força para esquecer as dores que sinto há 2 dias e pensar “que mariquinhas que estás a ser desta vez Pintoc, tu és uma sobrevivente  de um bicho muito mau que te atormentou 2 vezes e tens de te portar à altura, se queres ajudar alguém que de ti venha a necessitar!”.  As dores acabaram de passar novamente.

Cicatrizes

Apresento-vos a Dona Brites, um doce de Senhora, uma das poucas que podia ir almoçar à Copa pelo seu próprio pé, tremia muito e necessitava da ajuda com a sopa, de vez em quando eu dava uma mãozinha. Depois de um almoço divertido , a selfie a tomar o cafézinho.

IMG_4993Pelo Hospital encontrei ainda um cirurgião plástico meu conterrâneo, não era meu médico mas consta no ranking dos meus Favoritos. De uma humildade exemplar,  capaz de despoletar um sorriso de todos os que têm a felicidade de se cruzar no seu caminho, e de conseguir o respeito e admiração de todos os auxiliares do serviço.  Já me tinham dito, mas eu testemunhei ao vivo e a cores. Obrigado Eduardo pelo apoio, foi um prazer conhecer-te, espero por uma visita em terras da Beira.

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